quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Viver do que se vive - União dos Povos 2015



O chamado para este momento veio forte, o coração guiou, dia todo na atenção das crianças e chegar literalmente com todos os corpos.
A noite a magia acontecia, ouvir "rezo do fogo", na fogueira sob as estrelas foi o auge dos meus mais puros sonhos, pois essa música me conecta intrinsecamente com minha família estelar.
No domingo pela manhã, em um "brincadeira" com uma máscara, uma irmã guiada pôs se a balança la em minha frente e minha consciência expandiu, meu terceiro olho abriu e meu corpo vibrou tanto, que só lágrimas saiam.

"Vi uma cúpula de cristal tomando conta de todo o recanto, vi Seres em forma de energia, com 3 a 4 metros de altura, muitos, caminhavam entre as pessoas, guiavam algumas, "mexiam" em outras.
Uma irmã deixava sua alma falar e eu a ouvi la, um deles se pôs atrás dela e começou a tocar suas costas, alinhou sua kundalini e saiu, não conseguia falar apenas chorar.
Vi muitos elementais, na Terra, no lago. No momento onde encerravam com dança e canto em círculo, os Seres se aproximaram por detrás das pessoas fazendo uma tenda, eles eram enormes e brilhavam muito.
Meu corpo começou a vibrar muito, de uma maneira que eu tremia dos pés a cabeça, uma amigo perguntou se tinha feito rapé e eu disse que não havia bebido nem água, foi um presente, poder ver tudo com os olhos reais.
Vi uma energia em alta frequência entrando no planeta, girando em círculo colorido e rápido dentro da cúpula de crista e saindo do outro lado.
Ainda não sei o que foi isso tudo, o que sei é que quando um grupo de pessoas se reúne para um bem maior, de amor e cuidado com tudo que é vivo, para salvar nossa amada Gaia, eles vem e guiam tudo dentro da Ordem Divina."

Gratidão ao Clã Suindara, a missão de vocês é bem maior do que podem imaginar, por toda a humildade que carregam, ao Nanan Zanatta que embalou a todos no mais puro amor de cada canção e a cada Ser presente.
Especialmente as crianças, brincando livremente, correndo, comendo, nuas, livres em harmonia com tudo que é, possibilitando a descida de tantos anjos.

Em gratidão Asha.





terça-feira, 10 de novembro de 2015

Viver em Devoção (Bhakti)


Mãe Terra convocou os guerreiros para tocar o som do seu coração, como guia um filho amado, com a força de puxar, amarrar e desatar os nós da nossa vida. Ele aceitou o chamado e trouxe sua família e também um irmão, precisando curar seu coração para seguir em sua iluminada jornada.
No caminho, a Espiritualidade se apresenta dizendo: - Fique tranquila flor, já estamos aqui e cuidaremos de tudo! Ao chegar um rezo forte com cachimbo e tabaco sagrado ... "Que seja tudo que já é" ...  Assim foi,  cada um deu o melhor e o pior de si, para entregar e curar.
Muito Amor e Devoção expressada em tantas formas, nos tambores, no alimento, no portal, nas canções, aos amados e a amada Mãe Divina.
Pela manhã os preparativos, dois altares, os guerreiros e guerreiras da Verdade vão chegando, escolhidos para esse momento. 
A oficina começa, como nenhuma outra, numa ritualística impecável, acolhendo o grupo, trazendo o aroma da sálvia branca, a chanupa rezando por todos.
Conversas, abraços, reconhecimentos nos olhos, na fala, no jeito, fomos mergulhados nos espelhos de luz e de sombra um do outro. Um pouco de ansiedade, trazendo tensão e expectativa, com isso a energia pesa aos ombros de quem âncora, aliviando quando chega quem abriria o portal da liberdade, uma linda Estrela e o Rei da Justiça.
Cada pessoa ali presente com muitas funções e energias a se manifestar, mas todos curando e sendo curados.

A noite entramos na força das medicinas da floresta, ali os egos se manifestaram e também caíram por Terra, pois a Espiritualidade não brinca em serviço, limpezas, silêncio interno e logo chegou o momento de celebrar.
Os canarinhos cantaram e embelezaram a noite, com suas cores, penas e asas, sorrisos e sonhos, o trabalho agora era em movimento ... Espirais, circulares, firmes e fortes no toque do tambor.
Recebi os parabéns pelo batismo da "casa de cura", assim veio o presente do astral e a alegria tomou conta, voltei a cuidar do fogo, a chama do amor, precisava ser mantida.

O dia clareou, o tambor a finalizar, criar o clima, a proteção e o ancoramento para a manifestação do mais puro amor.Tudo pronto, o cantador inicia e ao tocar, foi profundamente tocado.
Uma chuva de bençãos, uma onda amor, dentro, entre e além de todos, a Mãe Divina nos presenteia com sua presença, lavando em lágrimas e chegando no mais profundo de nosso Ser.
O perdão, a unidade, os espelhos se quebrando, ensinando que não precisamos defender nosso território porque a Terra é de todos, podemos partilhar canções, alimento, sabedoria e nosso brilho, dando a oportunidade do outro brilhar também.
E assim juntos trazemos o Reino do Sol a Terra, um reinado sem rei, onde o amor, a verdade e a liberdade impera.

Em profunda gratidão
Asha












terça-feira, 21 de julho de 2015

Sol Sagrado

Foi assim que em uma bela manhã de domingo, o Astro Rei banhando tudo lindamente que nos encontramos, de joelhos em reverência total a ti Deus Sol, Deus Pai a entrega veio e o recebi dentro de mim. 

Seus raios a tocar meu rosto, seus fios de ouro a conectar todos os meus pontos de energia, e a sensação de recebe lo dentro do meu ser. Uma luz amarela começa a expandir do plexo solar e irradiar tudo a volta, dissipando as esferas inferiores, dimensões e seres.
O vento entoando, as asas se abrindo e voando alto, os olhos abertos a perceber tudo adiante, e a águia faz morada.

Um presente especial veio em forma de visão, a família das estrelas como que em uma conexão direta olhava, e em seus silenciosos lábios que diziam: "Estamos aqui, estamos contigo, sempre ... Precisa reconhecer nos ao seu redor, estamos ai também." 
Lentamente sentindo e reconhecendo minha real forma, aquele amor profundo, aquele colo de estar em casa por milésimos de segundo, as mãos a fazer gestos de reconhecimento estelar, coração disparado, lágrimas que rolam e a gratidão transbordante.

Chegou a hora de bailar, a tribo em volta do fogo, os pés a tocar a Mãe Terra, chocalhos, maracas e tambor ... Tambor forte trazendo a força guerreira, a cada toque o coração se sintonizando e elevando a energia para que o trabalho pudesse ser feito, todos juntos em um só toque, em um só coração, em uma só intensão: Trazer o Reino do Sol à Mãe Terra.
Dançamos fortemente, guerreiros e guerreiras mesmo sem saber ancorando a tribo, deixando os ancestrais trabalhar, os abuelos e abuelas, os orixás e caboclos e caboclas, um mago branco a guiar tudo. Agora sim, a fumaça em redemoinho, limpando tudo, Iansã levando tudo com seus cabelos em forma de vento.
Portal fechado, outros abertos, a energia circulando, bases ancoradas, e um espiral ligando tudo ao Cosmos. Tudo pronto agora podermos descansar, cantar e bailar livremente ...

 -"Baila filha guerreira do Sol, é de onde vem tua força, de onde vem tua luz.  Que linda que tu é!"

Asha (Juliana Alves T.) Audeia 19 de Julho de 2015









terça-feira, 19 de maio de 2015

"Yemanjá foi quem mandou "

Conduzida, fui ter com as águas de Mãe Yemanjá e quando seu filho encontrei, logo a calma veio e junto uma fala pura, de sabedoria e consciência.
A viajem seguiu nada tranquila, horas de inquietude e preparo para o que viria, falamos mais um pouco, na verdade eu o ouvia, e percebia em cada reflexo da luz em seu rosto,  uma face diferente se sobrepondo, era um rosto conhecido, de um outro filho amado que sacrificou sua vida por amor à humanidade.

Chegamos e na espera uma conversa tranquila e profunda, algumas perguntas e muitas confirmações, estava ali completamente invisível aos olhos de todos, apenas cumprindo meu papel.
O dia transcorreu na recepção a ele, na organização de tudo e eu silenciosamente me preocupava por ele não comer e não dormir. Todos em volta como abelhas no mel, com toda sua doação ele falava e falava, contava histórias nesse plano e nos outros percebendo tudo que iria acontecer.
Um amigo guardião se prostrou ao seu lado e como um encontro de muitas vidas ficou todo o tempo junto. Ele dava as diretrizes do ritual, “o lava pés”, como ficariam as cadeiras ... Um conflito entre os anjos musicais ele acalmava com sua autoridade divina.
Enfim, para minha tranquilidade ele foi descansar, deitou se afastado de tudo e dormiu, guardei seu sono e em silêncio o rezo havia começado.
O tempo parecia eterno naquela espera por  ver rostos conhecidos, esperando a tribo chegar, os guerreiros e guerreiras, logo um filho precioso chega cantando um rezo com alegria e com ele toda aldeia, os caboclos iam se colocando em volta do círculo para proteger. Pessoas chegavam, mais e mais, muitas crianças, e também ela, brilhando e ancorando a força feminina guerreira das índias e caboclas ... Agora faltava pouco.

Depois de descansado e preparado, chegou o momento de iniciar, um breve discurso do dono da casa, e ele inicia com as orações matrizes, “Pai Nosso e Ave Maria” ...  Fala do propósito coletivo a ser trabalhado, ensina sobre a diferença entre rogar, rezar e decretar e pede que cada um faça seu rezo pessoal. 
Invoca todas as proteções, todas egregoras de luz e amor, reverencia a Mãe Divina, avisa que estamos protegidos e tudo que vir a tona é de cada um a ser trabalhado.
Ele serve a Rainha a todas as pessoas numa única fila, sem distinção de gêneros, afinal o propósito é a unidade, e aos poucos cada pessoa diante dele consagra aquele vinho precioso e especialmente doce.
Abrindo a porta da Terra, a canção soa, reverenciando a Mãe, amada Pachamama, e todas que esperavam por esse momento para cantar e dançar e expressar sua Divindade começou a sentir a força do rezo.
Infelizmente o "expressar" era um tanto limitado pelas “regras” do local, e sempre que tentavam  especialmente as muheres eram retiradas. 
Ancorando o feminino sagrado me mantive onde sabia que era meu lugar e por nada saí, travando uma luta grande contra repressão patriarcal, dancei o quanto pude e logo a sabedoria de uma anciã tomou conta do meu corpo, pedindo para me sentar próxima ao fogo.

Venho a porta do vento, trazendo um furacão e ponto tudo a baixo, Iansã derrubando tudo que não condizia com a Ordem Divina, seres iluminados desciam de suas naves e se posicionavam para cuidar e curar, guerreiros não deixando ninguém sair e nada entrar.
Uma guerra espiritual travada entre os velhos padrões, conceitos e hierarquias desnecessárias e a nova era, a unidade e o amor.
Os anjos foram convidados a tocar sua canção leve para acalmar um pouco, e Ele caminhava entre as pessoas percebendo e aproveitando o céu a se abrir diante dos seus olhos.
Em unidade o Clã ficou quando a energia da Mãe Divina os tocou enquanto eles tocavam.
Pausa para mais uma consagração, e agora o doce da rainha não era sentido e sim um fel desceu pela minha garganta, tamanha energia contraria emanada.

Abre se a porta do fogo, e depois de tudo abaixo era hora de purificar no fogo, deixar tudo queimar, a índia velha, agora estava toda em meu ser, apenas olhando para o fogo e tocando seu chocalho, algumas vezes olhava para o lado e via as Flores bailando e se sentia feliz, por vê las celebrando.
Ela olhava firme para seu filho amado e trazia toda a força em suas raízes e emanava para ele, dizendo para cantar, para aguentar ... Ele tremia inteiro no rezo canto e tudo a flamejar em volta.
Através de seus olhos pude ver toda sua missão, pude ver o quanto amado e protegido o é, o amor que sentia completamente maternal era entendido nesse momento. Via todo ao redor dele com uma luz amarela como se fosse o próprio sol a emanar luz em toda aquela escuridão, ela rezava em volta dele com o chocalho, com folhas de arruda e ele buscava força nos olhos dela.
A Mãe Divina em forma de Pachamama, estava ali aguentando tudo, ancorando para que todos pudessem trabalhar, equipes espirituais resgatando, limpando, curando e protegendo.
O tempo perdeu o sentido e parecia eterno aquele momento, lapsos de presença era sentida por mim, dores no estomago e a limpeza que precisava ser feita, mas apenas na hora certa. 
Ouvia a Mãe Divina dizendo para aguentar mais um pouco, que ele precisava cantar  - Meu filho precisa cantar!  dizia ela ...  – Ele precisava cantar até o Sol nascer!
Entre uma canção e outra Ele falava palavras de consciência superior, os recados para todos, até para ele mesmo e tudo seguia ... Sofrido de ancorar, mais uma força sobre humana me fazia sustentar ele em pé com a força dela.

A limpeza veio e a porta da água também, então Mãe Yemanjá trouxa as águas, o mar subiu a montanha e a tudo inundou,  o “lava pés” começou  ...
Sentindo ela em meu corpo, mal conseguia andar, curvada, com o rosto envelhecido, andei por entre as pessoas com cuidado e logo voltei para perto fogo, antes, os pés da anciâ nos meus foi limpo por uma querida filha.
E nas águas o choro veio, choro de amor e de dor para que o propósito seja mantido, para que Ele cumpra o que veio fazer aqui, com uma força inabalável Ela cantava quando ele precisava de força, batia palma e mantinha acesa a luz em volta dele.

“Nesse instante, Ela presenteou  me por entregar em doação para que ela estivesse presente, mostrando a missão do meu próprio filho, então o choro agora foi meu, por ver tamanha beleza de caminho traçado para meu amado.”

Ela se voltou para ele novamente e ali permaneceu... Contra vontade da Mãe Divina, era preciso encerrar o canto, depois de tanta luta e em êxtase ele entrou e abraçou à todos, celebrou, amou e foi amado.

O rezo continuou até o dia raiar e ela esperou junto dele, abençoando mais uma vez toda a sua existência.

Asha - 16 de Maio de 2015 em Porto União